Nada mais do que isto! Quero viver com a alma livre do jugo do saber. Com toda esta baderna religiosa resultado de falácias e mais falácias, decidir manter-me como um observador que vê sem se importar em saber ou absorver. Cansei de testemunhar tanta incoerência entre o viver e o falar, por isto resolvi seguir a minha própria consciência. Só que minha consciência exigiu de mim a morte do excesso do saber, adormecido no meu subconsciente. Para isto tive que praticar eutanásia, ou seja, proporcionar a morte deste vão saber que carreguei por muito tempo dentro de mim. Foi preciso exalar o ar entorpecente da doutrina institucional para que eu ficasse imunizado da vã maneira de saber.
Sobre o saber, nunca me sentir tão bem como me sinto hoje. Sinto-me como um aprendiz conduzido pela força do vento socrático, ou seja, pela consciência de saber que só sei que nada sei. Demorou, mais descobri que é quando nada se sabe que realmente se depende do único que sabe de todas as coisas, Deus! Talvez o problema de Adão tenha sido este, de querer saber o que não era para saber, e aí uma vez sabendo, acabou sabendo demais. O ruim disto é que sobrou pra todo mundo..., porque todo mundo só quer saber!
Penso que um dos maiores legados deixado pelo apóstolo Paulo à Igreja foi avisá-la sobre o prejuízo que o excesso do saber produz. Saber com moderação é não saber mais do que convém saber. Infelizmente a igreja de hoje, melhor dizendo, aqueles que se revelam como detentores do conhecimento de Deus, ignoram isto, e preferem continuar inchados pelo sopro da ciência. Foram contaminados pela presunção de pensar que sabem tudo de Deus. Puro engano! A falta do saber pode nos destruir, mas o muito saber pode nos fazer delirar. E é isto que está acontecendo hoje no meio da Igreja. O pregador avisou: “... o que aumenta o saber aumenta a tristeza, por isto aquele que possui conhecimento refreie suas palavras, porque quem cerra os lábios é tido por sábio e entendido”.
Decido terminantemente fazer calar e sossegar a minha alma, com o propósito único de manter meu espírito sereno. Diante dos saberes e mais saberes, meu desejo é simplesmente entoar o hino de adoração a Deus: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Ro.11:33-36).
Jesus,o mestre da comunicação, ensinava conversando,no entanto,não conversava ensinando,porque sabia da importância de se comunicar de forma simples e natural."Conversanobre" tem como proposta,expor meus pensamentos, elucubrações e insights, oriundos de conversas minhas,com Deus,comigo mesmo,com pessoas e com o mundo ao meu redor.Conversar é ato nobre de compartilhar sonhos,histórias e vida.
domingo, 19 de junho de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Tudo na vida tem seu contraposto
São idênticas. Na sala do meu apartamento, junto à mesa de vidro de formato asa delta, as seis cadeiras formam um conjunto perfeito. O assento é do tipo estofado e a estrutura é toda de madeira seca amarelada. Como tudo que é muito usado, sentar nestas cadeiras é algo comum e natural para mim. A vida é assim, aquilo que mais usamos é o que menos nos chama atenção. No geral, pouco se percebe o valor das coisas comuns da vida. A trivialidade é como uma moeda; tem dois lados do mesmo tamanho, no entanto retratam coisas diferentes. Ao mesmo tempo em que algo é muito usado, concomitantemente é também muito ignorado.
Foi preciso que as térmitas realizassem de forma silenciosa e bem feito seu trabalho de destruição, para que eu voltasse a valorizar aquelas cadeiras. Como de costume, acordei bem cedo e abri as janelas da sala do meu apartamento para me deleitar com a brisa da manhã. Depois de contemplar o nascer do sol voltei os olhos para o interior da sala, e aí tive uma surpresa desagradável. Debaixo de uma das cadeiras observei a presença de excrementos de térmitas, uma espécie de granulados amarelados. Isso foi suficiente para voltar a olhar aquelas cadeiras com os olhos da valorização e admiração. Até então elas valiam pela minha necessidade de momento: sentar. Ao perceber que estavam sendo destruídas, passei a valorizá-las não apenas pela utilidade de fazer meu corpo descansar, mas também pela beleza que transmitiam ao formarem um conjunto agradável com a mesa. Mesmo que não queiramos admitir, tudo na vida tem seu contraposto. Penso que este é também um dos motivos do apóstolo Paulo afirmar que aprendeu a está contente em toda e qualquer situação. O sábio Salomão inquiriu: “Quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, durante os poucos dias da sua vaidade?” A resposta do poeta Fernando Pessoa me é suficiente: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”. O trabalho das térmitas foi danoso para as cadeiras e me deu prejuízo financeiro, mas em contrapartida produziu um efeito significativo na minha vida, porque despertou em mim a valorização pelas coisas comuns e corriqueiras da vida. Neste caso, devo elogiar as térmitas, porque comungo com o ensino bíblico de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Entender o contraposto das coisas é fácil, difícil é aceitar.
Foi preciso que as térmitas realizassem de forma silenciosa e bem feito seu trabalho de destruição, para que eu voltasse a valorizar aquelas cadeiras. Como de costume, acordei bem cedo e abri as janelas da sala do meu apartamento para me deleitar com a brisa da manhã. Depois de contemplar o nascer do sol voltei os olhos para o interior da sala, e aí tive uma surpresa desagradável. Debaixo de uma das cadeiras observei a presença de excrementos de térmitas, uma espécie de granulados amarelados. Isso foi suficiente para voltar a olhar aquelas cadeiras com os olhos da valorização e admiração. Até então elas valiam pela minha necessidade de momento: sentar. Ao perceber que estavam sendo destruídas, passei a valorizá-las não apenas pela utilidade de fazer meu corpo descansar, mas também pela beleza que transmitiam ao formarem um conjunto agradável com a mesa. Mesmo que não queiramos admitir, tudo na vida tem seu contraposto. Penso que este é também um dos motivos do apóstolo Paulo afirmar que aprendeu a está contente em toda e qualquer situação. O sábio Salomão inquiriu: “Quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, durante os poucos dias da sua vaidade?” A resposta do poeta Fernando Pessoa me é suficiente: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”. O trabalho das térmitas foi danoso para as cadeiras e me deu prejuízo financeiro, mas em contrapartida produziu um efeito significativo na minha vida, porque despertou em mim a valorização pelas coisas comuns e corriqueiras da vida. Neste caso, devo elogiar as térmitas, porque comungo com o ensino bíblico de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Entender o contraposto das coisas é fácil, difícil é aceitar.
domingo, 20 de março de 2011
O olhar e o ver
"Olhe para os pássaros, olhe para as flores...”. Como Alguém que teve uma missão tão grande a realizar encontrou tempo para contemplar a natureza, os pássaros, as flores? A visão de Jesus penetrava na beleza da criação com tanta intensidade que suas palavras reverberavam o imenso cuidado de Deus pelas aves do céu e pelos lírios do campo. Dizem que os olhos vêem o que alma deseja. Ele disse: A alma alimenta-se do que os olhos vêem, e se os olhos forem bons todo o corpo terá luz.
Há aqueles que cegaram diante da beleza da vida, porque tem olhos, mas não vêem. Bem inquiriu Goethe: "Do que vale olhar sem ver?" E André Gide responde: "Que a importância esteja no teu olhar, não naquilo que olhas." Há também aqueles que perderam a sensibilidade de ouvir a cadência da melodia do viver, porque tem ouvidos, mas não ouvem.
A alma só contempla quando o olhar copula com o ver. O ver é a capacidade humana de enxergar; o olhar é a capacidade de deixar o coração ver primeiro; é quando a percepção antecede a visão. Ao contemplar os pássaros e as flores Jesus comungou com a liberdade de viver sem as algemas da ansiedade. A ansiedade torna a visibilidade da alma turva, e é aí que somos tragados pelo engano, porque ficamos entre a cegueira e a visão; o torto se torna direito e o direito torto. Quem vê e não consegue olhar é como ter catarata nos olhos, fica como que meio cego. E uma das dificuldades é não conseguir olhar as pessoas como realmente são, vidas que se movem em liberdade, e não arvores presas em seus próprios movimentos.
Os olhares falam mais alto do que um simples ver. Um olhar expõe o que está na alma, denuncia as intenções da mente e revela o que sente o coração. Um olhar pode ajuda o outro a reconhecer quem realmente é. Foi com o olhar de Jesus que Pedro conseguiu enxergar sua feiúra interior e ao mesmo tempo sentir a compaixão emanada através dos olhos do seu Mestre. Há momentos na vida que o olhar soa mais alto que o tom da voz, porque dependendo da situação, pode revelar aquilo que a boca não consegue dizer. A boca pode silenciar diante da morte ou da despedida, no entanto, o olhar permanece até perder de vista.
A vista cansa quando as pálpebras permanecem levantadas; o olhar se perde no vazio quando a alma silencia. Mas há momentos em que o olhar e o vê refletem o mesmo brilho: Quando os olhos estão encharcados de amor. Sempre que os olhos de duas pessoas que se amam se encontram, o olhar e o vê se tornam uma só coisa. E é só assim que se descobre o segredo do verdadeiro amor: “Olhando olhos nos olhos”.
Há aqueles que cegaram diante da beleza da vida, porque tem olhos, mas não vêem. Bem inquiriu Goethe: "Do que vale olhar sem ver?" E André Gide responde: "Que a importância esteja no teu olhar, não naquilo que olhas." Há também aqueles que perderam a sensibilidade de ouvir a cadência da melodia do viver, porque tem ouvidos, mas não ouvem.
A alma só contempla quando o olhar copula com o ver. O ver é a capacidade humana de enxergar; o olhar é a capacidade de deixar o coração ver primeiro; é quando a percepção antecede a visão. Ao contemplar os pássaros e as flores Jesus comungou com a liberdade de viver sem as algemas da ansiedade. A ansiedade torna a visibilidade da alma turva, e é aí que somos tragados pelo engano, porque ficamos entre a cegueira e a visão; o torto se torna direito e o direito torto. Quem vê e não consegue olhar é como ter catarata nos olhos, fica como que meio cego. E uma das dificuldades é não conseguir olhar as pessoas como realmente são, vidas que se movem em liberdade, e não arvores presas em seus próprios movimentos.
Os olhares falam mais alto do que um simples ver. Um olhar expõe o que está na alma, denuncia as intenções da mente e revela o que sente o coração. Um olhar pode ajuda o outro a reconhecer quem realmente é. Foi com o olhar de Jesus que Pedro conseguiu enxergar sua feiúra interior e ao mesmo tempo sentir a compaixão emanada através dos olhos do seu Mestre. Há momentos na vida que o olhar soa mais alto que o tom da voz, porque dependendo da situação, pode revelar aquilo que a boca não consegue dizer. A boca pode silenciar diante da morte ou da despedida, no entanto, o olhar permanece até perder de vista.
A vista cansa quando as pálpebras permanecem levantadas; o olhar se perde no vazio quando a alma silencia. Mas há momentos em que o olhar e o vê refletem o mesmo brilho: Quando os olhos estão encharcados de amor. Sempre que os olhos de duas pessoas que se amam se encontram, o olhar e o vê se tornam uma só coisa. E é só assim que se descobre o segredo do verdadeiro amor: “Olhando olhos nos olhos”.
sábado, 5 de março de 2011
Nasceu torto, torto morrerá!
Será que ainda tem conserto? Será que mesmo estando do avesso ainda tem jeito? Estou me referindo à Igreja Evangélica e não à Igreja de Jesus. Penso que não vai ter jeito mesmo, porque é questão de nascimento; já nasceu torta. Neste caso vale o que disse Salomão: “O que é torto não pode ser endireitado” (Ecl.1:15).
Pela dimensão que as coisas ficaram acho que a composição do Chico é o que melhor expressa a realidade da Igreja Evangélica hoje: “O que será que será? O que não tem certeza nem nunca terá; O que não tem conserto nem nunca terá; O que não tem tamanho/ ... O que não faz sentido/ ... O que não tem vergonha nem nunca terá; O que não tem juízo”.
Comecemos pelo adjetivo: “Evangélico”. Pode servir para qualificar qualquer coisa, menos as Boas-novas de Jesus. O que se vê hoje é que o Adjetivo entortou o Substantivo e este por sua vez passou a ter mais significado que o Verbo. No final o Nome distorceu o Significado e eliminou o Verbo.
É inútil a tentativa de endireitar o que não quer ser endireitado. É vã porque é gélido, quando se tenta aquecer-se sob o teto desta igreja institucionalizada.
Esta pseudo Igreja nasceu torta porque nasceu pra dentro e se fechou em si mesmo. Porque não foi gerada com o DNA dos voltados para fora, perdeu o sentido de ser como Igreja de Jesus. É uma igreja cujos olhos têm visão invertida, porém não tem cérebro pra fazer a devida correção, isto porque só olha pra si mesmo. E porque só olha pra si mesmo não consegue verdadeiramente si amar e muito menos amar os de fora. Tem como âncora de sustentação a religiosidade e o legalismo. Em vez de ser meio de difusão da Palavra tornou-se instrumento de descrédito, escândalo e escárnio no mundo.
Em contrapartida, a verdadeira Igreja permanece viva porque está firmada na Rocha Eterna e fundamentada no Evangelho de Jesus. Esta igreja está espalhada por todos os cantos deste mundo, porque é como fermento, influencia sem ser evidenciada; é como sal, tempera sem ser contaminada; e como luz, ilumina e brilha sem ofuscar a Luz maior que é Jesus. Quem olha para esta Igreja vê o brilho da luz que vem de cima iluminando os que estão embaixo. E quando esta Igreja brilha Deus é glorificado. Aleluia!
Pela dimensão que as coisas ficaram acho que a composição do Chico é o que melhor expressa a realidade da Igreja Evangélica hoje: “O que será que será? O que não tem certeza nem nunca terá; O que não tem conserto nem nunca terá; O que não tem tamanho/ ... O que não faz sentido/ ... O que não tem vergonha nem nunca terá; O que não tem juízo”.
Comecemos pelo adjetivo: “Evangélico”. Pode servir para qualificar qualquer coisa, menos as Boas-novas de Jesus. O que se vê hoje é que o Adjetivo entortou o Substantivo e este por sua vez passou a ter mais significado que o Verbo. No final o Nome distorceu o Significado e eliminou o Verbo.
É inútil a tentativa de endireitar o que não quer ser endireitado. É vã porque é gélido, quando se tenta aquecer-se sob o teto desta igreja institucionalizada.
Esta pseudo Igreja nasceu torta porque nasceu pra dentro e se fechou em si mesmo. Porque não foi gerada com o DNA dos voltados para fora, perdeu o sentido de ser como Igreja de Jesus. É uma igreja cujos olhos têm visão invertida, porém não tem cérebro pra fazer a devida correção, isto porque só olha pra si mesmo. E porque só olha pra si mesmo não consegue verdadeiramente si amar e muito menos amar os de fora. Tem como âncora de sustentação a religiosidade e o legalismo. Em vez de ser meio de difusão da Palavra tornou-se instrumento de descrédito, escândalo e escárnio no mundo.
Em contrapartida, a verdadeira Igreja permanece viva porque está firmada na Rocha Eterna e fundamentada no Evangelho de Jesus. Esta igreja está espalhada por todos os cantos deste mundo, porque é como fermento, influencia sem ser evidenciada; é como sal, tempera sem ser contaminada; e como luz, ilumina e brilha sem ofuscar a Luz maior que é Jesus. Quem olha para esta Igreja vê o brilho da luz que vem de cima iluminando os que estão embaixo. E quando esta Igreja brilha Deus é glorificado. Aleluia!
domingo, 23 de janeiro de 2011
INVERNO
Inicia-se a estação que mais mexe com meus sentimentos, porque atiça as minhas lembranças. Inverno! É tempo em que a pressa é vencida pela natureza, porque de certa forma o inverno freia a correria urbana e dificulta o deslocamento das pessoas. É quando a luz do sol que toca o chão do planeta é interceptada pelos colchões de nuvens que escurecem a terra.
Neste período o céu fica cinzento e o vento frio desliza na pele dando a sensação de estar sempre molhada. O interior da casa se torna mais aconchegante e o recolhimento do final do dia passa a ser uma mistura de prazer e necessidade. É o tempo em que os humanos mais se identificam com as aves quando estão chocando; assim como as aves não querem sair do ninho, assim também é no inverno quando a chuva cai e o leito aquece mais. Na verdade não é a cama que nos aquece durante o inverno, e sim o calor do nosso corpo que deixamos nela. No frio do inverno quando o dia amanhece, somos como as aves que deixam seu calor no ninho e saem para voar, mas logo que a chuva cai desejam voltar.
Quando eu era menino a casa de meus pais não tinha forro no teto, então nas noites de inverno dormíamos ouvindo o som da chuva sobre o telhado. Nas vezes que estava sem sono e todos já dormiam, eu ficava ouvindo o gotejar da chuva no telhado, e este som era como música que me fazia dormir. Naquela época o inverno era longo e as chuvas eram contínuas, a ponto de chover o dia e a noite inteira. Lembro-me de como minha mãe ficava tensa quando via a claridade dos relâmpagos e ouvia o som dos trovões. A primeira coisa que ela fazia era fechar a casa e cobrir todos os espelhos com lençóis, com medo de atrair raios. Também se evitava pegar faca e talheres. Quando se ouvia os trovões ela pedia para nos calarmos porque “Deus estava falando”. Por causa destas coisas e do próprio clima frio, ficávamos mais calmos e silenciosos dentro de casa.
Penso como Fernando Pessoa: “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é”. Assim como o sol, a chuva também é sinal do amor de Deus para com a humanidade. Ele faz chover sobre todos. Ela não é propriedade e nem privilégio de ninguém; é livre para cair quando bem quiser. Debaixo dela não há exclusividade, e isto Jesus deixou bem claro quando afirmou que é derramada sobre justos e injustos. Dependendo da situação, assim como a chuva encharca o chão, pode também encharcar o coração. Enche de alegria o lavrador, quando molha e alimenta a terra seca; enche de esperança ao saciar a sede de quem mora no sertão; faz a felicidade do pescador transbordar porque inunda o leito do rio e permite que os peixes voltem a nadar.
O inverno ao mesmo tempo em que esfria o corpo, pode também aquecer um coração carente de quietude. Embora produza zoada no céu e na terra, no entanto, abre espaço para o silêncio no coração humano.
Certa vez ouvi um homem dizer que o inverno é como um caixeiro viajante, de tempos em tempos ele passa no mesmo lugar. Ali chegando, ele deixa sua semente e vai embora; e cada vez que retorna ele rega a mesma semente, até que um dia ela se transforma em fonte de mantimento para si. Assim é com o inverno, a água que desce é como semente, que depois de semeada um dia também sobe para alimenta a estação do inverno seguinte.
Como todas as coisas na vida, o inverno vai passar, mas também vai voltar. E quando ele voltar desejo que continue atiçando minhas lembranças e encharcando minha alma de esperança.
Neste período o céu fica cinzento e o vento frio desliza na pele dando a sensação de estar sempre molhada. O interior da casa se torna mais aconchegante e o recolhimento do final do dia passa a ser uma mistura de prazer e necessidade. É o tempo em que os humanos mais se identificam com as aves quando estão chocando; assim como as aves não querem sair do ninho, assim também é no inverno quando a chuva cai e o leito aquece mais. Na verdade não é a cama que nos aquece durante o inverno, e sim o calor do nosso corpo que deixamos nela. No frio do inverno quando o dia amanhece, somos como as aves que deixam seu calor no ninho e saem para voar, mas logo que a chuva cai desejam voltar.
Quando eu era menino a casa de meus pais não tinha forro no teto, então nas noites de inverno dormíamos ouvindo o som da chuva sobre o telhado. Nas vezes que estava sem sono e todos já dormiam, eu ficava ouvindo o gotejar da chuva no telhado, e este som era como música que me fazia dormir. Naquela época o inverno era longo e as chuvas eram contínuas, a ponto de chover o dia e a noite inteira. Lembro-me de como minha mãe ficava tensa quando via a claridade dos relâmpagos e ouvia o som dos trovões. A primeira coisa que ela fazia era fechar a casa e cobrir todos os espelhos com lençóis, com medo de atrair raios. Também se evitava pegar faca e talheres. Quando se ouvia os trovões ela pedia para nos calarmos porque “Deus estava falando”. Por causa destas coisas e do próprio clima frio, ficávamos mais calmos e silenciosos dentro de casa.
Penso como Fernando Pessoa: “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é”. Assim como o sol, a chuva também é sinal do amor de Deus para com a humanidade. Ele faz chover sobre todos. Ela não é propriedade e nem privilégio de ninguém; é livre para cair quando bem quiser. Debaixo dela não há exclusividade, e isto Jesus deixou bem claro quando afirmou que é derramada sobre justos e injustos. Dependendo da situação, assim como a chuva encharca o chão, pode também encharcar o coração. Enche de alegria o lavrador, quando molha e alimenta a terra seca; enche de esperança ao saciar a sede de quem mora no sertão; faz a felicidade do pescador transbordar porque inunda o leito do rio e permite que os peixes voltem a nadar.
O inverno ao mesmo tempo em que esfria o corpo, pode também aquecer um coração carente de quietude. Embora produza zoada no céu e na terra, no entanto, abre espaço para o silêncio no coração humano.
Certa vez ouvi um homem dizer que o inverno é como um caixeiro viajante, de tempos em tempos ele passa no mesmo lugar. Ali chegando, ele deixa sua semente e vai embora; e cada vez que retorna ele rega a mesma semente, até que um dia ela se transforma em fonte de mantimento para si. Assim é com o inverno, a água que desce é como semente, que depois de semeada um dia também sobe para alimenta a estação do inverno seguinte.
Como todas as coisas na vida, o inverno vai passar, mas também vai voltar. E quando ele voltar desejo que continue atiçando minhas lembranças e encharcando minha alma de esperança.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Saudade desalmada
Não é saudade
do que vivi e ficou pra trás.
Nem tão pouco
é saudade do que outrora experimentei e me lembrei.
Esta saudade é saudade desalmada porque é saudade do que não vivi o que no passado desejei. Como diz Fernando Pessoa no Livro do Desassossego: “... não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram”.
Coisas que nunca foram, nem sempre significa que não existiram, mas porque deixamos de usufruí-las no passado: Uma viagem perdida, contada pelos outros; um livro não lido, mas muito comentado, que já não se acha mais; um namoro desejado, que foi impedido pela distância; o jogo esperado, que coincidiu com a prova da faculdade; uma aproximação maior com alguém que já não existe mais, e por aí vai...
Saudade sentida do que deveria ser, mas não foi.
É aquela saudade marcada pelo vazio de algo que existe na lembrança do passado. Acho que o Rubem Alves tinha razão ao dizer: “Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade”.
Há! Como seria diferente meu hoje se meu passado tivesse deixado esse vazio ser preenchido por aquilo que deixou de ser!
Retroceder é impossível, choramingar o tempo perdido é tolice, admitir a verdade é o melhor a fazer.
Não foi meu passado que tornou meu presente diferente, foram tão somente as nódoas das minhas omissões, medos, conformações e procrastinações.
Diante da verdade só me resta uma coisa a fazer: Transformar esta saudade em um aliado pra viver melhor o presente.
O meu consolo é a certeza que esta saudade é sufocada pelo agora, pela vontade de continuar vivendo o que vivo hoje, independe do que não vivi ontem. Com o passar do tempo minha saudade ganhou alma e meu passado fez as pazes com meu presente.
A verdade é que minha esperança se tornou maior que meu passado, por isso nenhuma saudade é maior que meu presente e futuro. Vivo o presente olhando firmemente para o futuro: A volta gloriosa do Eterno!
Cristo! Minha maior esperança!
Esta saudade é saudade desalmada porque é saudade do que não vivi o que no passado desejei. Como diz Fernando Pessoa no Livro do Desassossego: “... não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram”.
Coisas que nunca foram, nem sempre significa que não existiram, mas porque deixamos de usufruí-las no passado: Uma viagem perdida, contada pelos outros; um livro não lido, mas muito comentado, que já não se acha mais; um namoro desejado, que foi impedido pela distância; o jogo esperado, que coincidiu com a prova da faculdade; uma aproximação maior com alguém que já não existe mais, e por aí vai...
Saudade sentida do que deveria ser, mas não foi.
É aquela saudade marcada pelo vazio de algo que existe na lembrança do passado. Acho que o Rubem Alves tinha razão ao dizer: “Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade”.
Há! Como seria diferente meu hoje se meu passado tivesse deixado esse vazio ser preenchido por aquilo que deixou de ser!
Retroceder é impossível, choramingar o tempo perdido é tolice, admitir a verdade é o melhor a fazer.
Não foi meu passado que tornou meu presente diferente, foram tão somente as nódoas das minhas omissões, medos, conformações e procrastinações.
Diante da verdade só me resta uma coisa a fazer: Transformar esta saudade em um aliado pra viver melhor o presente.
O meu consolo é a certeza que esta saudade é sufocada pelo agora, pela vontade de continuar vivendo o que vivo hoje, independe do que não vivi ontem. Com o passar do tempo minha saudade ganhou alma e meu passado fez as pazes com meu presente.
A verdade é que minha esperança se tornou maior que meu passado, por isso nenhuma saudade é maior que meu presente e futuro. Vivo o presente olhando firmemente para o futuro: A volta gloriosa do Eterno!
Cristo! Minha maior esperança!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Assim é a vida
É assim mesmo que a vida faz, vai sorvendo a gente lentamente como se fosse areia movediça. Uma vez na terra dos viventes só nos resta viver a vida como ela é. A grande verdade é que a vida não se deixa levar por aqueles que acreditam que podem caminhar na frente dela; sendo assim o melhor a fazer é tornarmos seus parceiros. Talvez o refrão da música “Deixa a vida me levar, vida leva eu” seja para aqueles que aprenderam que remar contra a vida é experimentar a derrota antes mesmo que o juiz apite o final do jogo. Para mim, sábio é aquele que aprendeu a viver de mãos dadas com a própria vida. O sábio Salomão deixou claro que não há nada melhor para o homem que gozar a vida enquanto puder (Ecl.3:12).
É coerente dizer que, na sua essência a vida de uma pessoa é o reflexo de suas escolhas e ações, o resto são apenas adereços que podem torná-la mais agradável ou não. Entretanto, a própria vida impõe suas regras que influenciam nas nossas escolhas e ações. Há pequenos detalhes que envolvem nossa vida e que nem percebemos e até depreciamos, todavia o que seria de nós sem eles. Igualmente há coisas grandes e pequenas ao nosso redor que são fundamentais para tornar a vida possível de ser vivida, mas que também não damos o devido valor.
Na vida tudo tem sua importância, até mesmo aquilo que julgamos ruim e inútil. Outra declaração do sábio é: “Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando forem ruins, considere que Deus fez tanto um quanto o outro,...” (Ecl.7:14). Já me peguei usufruindo coisas que a vida me ofertou que não dava nenhum valor, e para ser bem franco até faria qualquer sacrifício para me livrar delas. Fato recente aconteceu quando estava cofiando minha barba a comecei a relaxar e descansar ao mesmo tempo. Detesto ficar com barba e muito menos tirar barba. Tenho razões fortes para tal aversão. Os cabelos da minha barba são bem grossos e à medida que crescem alguns vão penetrando na minha pele e me furando, isso faz com que eu coce a barba continuamente e acabo me ferindo. Por outro lado, todas às vezes que a lâmina do aparelho de barbear desliza sobre minha pele, ela irrita que chega até a ferir. Fico tão incomodado com isso que às vezes chego a murmurar. Fiquei pensativo ao admitir que a mesma barba que me irritou também pôde me dá prazer. Isso soa como vindo de alguém que é simplório, no entanto são as coisas simples do cotidiano que mais revelam a força da vida. Assim é a vida, tudo tem sua utilidade; e é por isso que podemos tirar proveito até das coisas que nos desagradam.
O veneno da cobra pode matar um homem, mas também pode servir de antídoto para livrá-lo de uma doença mortal. A morte de uma corsa pode ser uma injustiça aos nossos olhos, mas é questão de sobrevivência para o leão. Até a folha de uma árvore quando cai na floresta tem sua utilidade.
Lutamos por acrescentar tantas coisas à nossa vida que acabamos deixando de usufruir a vida como ela é: Só vida. Não se trata de deixar de fazer o que tem de ser feito, ou até mesmo matar o desejo de realizações. Não! É entender que o sentido da vida não está no que fazemos, mas no quanto vivemos à medida que estamos fazendo. É preciso deixar de nos preocupar tanto em arrumar nossa vida e decidirmos viver a vida como ela é para entendermos o que Millôr Fernandes quer dizer com “Viver é desenhar sem borracha”.
Desde o dia em que resolvi abraçar as palavras da Vida, fiz as pazes com a vida e aprendi a viver um dia de cada vez. Se assim é a vida, então assim vou vivendo.
É coerente dizer que, na sua essência a vida de uma pessoa é o reflexo de suas escolhas e ações, o resto são apenas adereços que podem torná-la mais agradável ou não. Entretanto, a própria vida impõe suas regras que influenciam nas nossas escolhas e ações. Há pequenos detalhes que envolvem nossa vida e que nem percebemos e até depreciamos, todavia o que seria de nós sem eles. Igualmente há coisas grandes e pequenas ao nosso redor que são fundamentais para tornar a vida possível de ser vivida, mas que também não damos o devido valor.
Na vida tudo tem sua importância, até mesmo aquilo que julgamos ruim e inútil. Outra declaração do sábio é: “Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando forem ruins, considere que Deus fez tanto um quanto o outro,...” (Ecl.7:14). Já me peguei usufruindo coisas que a vida me ofertou que não dava nenhum valor, e para ser bem franco até faria qualquer sacrifício para me livrar delas. Fato recente aconteceu quando estava cofiando minha barba a comecei a relaxar e descansar ao mesmo tempo. Detesto ficar com barba e muito menos tirar barba. Tenho razões fortes para tal aversão. Os cabelos da minha barba são bem grossos e à medida que crescem alguns vão penetrando na minha pele e me furando, isso faz com que eu coce a barba continuamente e acabo me ferindo. Por outro lado, todas às vezes que a lâmina do aparelho de barbear desliza sobre minha pele, ela irrita que chega até a ferir. Fico tão incomodado com isso que às vezes chego a murmurar. Fiquei pensativo ao admitir que a mesma barba que me irritou também pôde me dá prazer. Isso soa como vindo de alguém que é simplório, no entanto são as coisas simples do cotidiano que mais revelam a força da vida. Assim é a vida, tudo tem sua utilidade; e é por isso que podemos tirar proveito até das coisas que nos desagradam.
O veneno da cobra pode matar um homem, mas também pode servir de antídoto para livrá-lo de uma doença mortal. A morte de uma corsa pode ser uma injustiça aos nossos olhos, mas é questão de sobrevivência para o leão. Até a folha de uma árvore quando cai na floresta tem sua utilidade.
Lutamos por acrescentar tantas coisas à nossa vida que acabamos deixando de usufruir a vida como ela é: Só vida. Não se trata de deixar de fazer o que tem de ser feito, ou até mesmo matar o desejo de realizações. Não! É entender que o sentido da vida não está no que fazemos, mas no quanto vivemos à medida que estamos fazendo. É preciso deixar de nos preocupar tanto em arrumar nossa vida e decidirmos viver a vida como ela é para entendermos o que Millôr Fernandes quer dizer com “Viver é desenhar sem borracha”.
Desde o dia em que resolvi abraçar as palavras da Vida, fiz as pazes com a vida e aprendi a viver um dia de cada vez. Se assim é a vida, então assim vou vivendo.
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