terça-feira, 3 de maio de 2011

Tudo na vida tem seu contraposto

São idênticas. Na sala do meu apartamento, junto à mesa de vidro de formato asa delta, as seis cadeiras formam um conjunto perfeito. O assento é do tipo estofado e a estrutura é toda de madeira seca amarelada. Como tudo que é muito usado, sentar nestas cadeiras é algo comum e natural para mim. A vida é assim, aquilo que mais usamos é o que menos nos chama atenção. No geral, pouco se percebe o valor das coisas comuns da vida. A trivialidade é como uma moeda; tem dois lados do mesmo tamanho, no entanto retratam coisas diferentes. Ao mesmo tempo em que algo é muito usado, concomitantemente é também muito ignorado.
Foi preciso que as térmitas realizassem de forma silenciosa e bem feito seu trabalho de destruição, para que eu voltasse a valorizar aquelas cadeiras. Como de costume, acordei bem cedo e abri as janelas da sala do meu apartamento para me deleitar com a brisa da manhã. Depois de contemplar o nascer do sol voltei os olhos para o interior da sala, e aí tive uma surpresa desagradável. Debaixo de uma das cadeiras observei a presença de excrementos de térmitas, uma espécie de granulados amarelados. Isso foi suficiente para voltar a olhar aquelas cadeiras com os olhos da valorização e admiração. Até então elas valiam pela minha necessidade de momento: sentar. Ao perceber que estavam sendo destruídas, passei a valorizá-las não apenas pela utilidade de fazer meu corpo descansar, mas também pela beleza que transmitiam ao formarem um conjunto agradável com a mesa. Mesmo que não queiramos admitir, tudo na vida tem seu contraposto. Penso que este é também um dos motivos do apóstolo Paulo afirmar que aprendeu a está contente em toda e qualquer situação. O sábio Salomão inquiriu: “Quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, durante os poucos dias da sua vaidade?” A resposta do poeta Fernando Pessoa me é suficiente: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”. O trabalho das térmitas foi danoso para as cadeiras e me deu prejuízo financeiro, mas em contrapartida produziu um efeito significativo na minha vida, porque despertou em mim a valorização pelas coisas comuns e corriqueiras da vida. Neste caso, devo elogiar as térmitas, porque comungo com o ensino bíblico de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Entender o contraposto das coisas é fácil, difícil é aceitar.

domingo, 20 de março de 2011

O olhar e o ver

"Olhe para os pássaros, olhe para as flores...”. Como Alguém que teve uma missão tão grande a realizar encontrou tempo para contemplar a natureza, os pássaros, as flores? A visão de Jesus penetrava na beleza da criação com tanta intensidade que suas palavras reverberavam o imenso cuidado de Deus pelas aves do céu e pelos lírios do campo. Dizem que os olhos vêem o que alma deseja. Ele disse: A alma alimenta-se do que os olhos vêem, e se os olhos forem bons todo o corpo terá luz.
Há aqueles que cegaram diante da beleza da vida, porque tem olhos, mas não vêem. Bem inquiriu Goethe: "Do que vale olhar sem ver?" E André Gide responde: "Que a importância esteja no teu olhar, não naquilo que olhas." Há também aqueles que perderam a sensibilidade de ouvir a cadência da melodia do viver, porque tem ouvidos, mas não ouvem.
A alma só contempla quando o olhar copula com o ver. O ver é a capacidade humana de enxergar; o olhar é a capacidade de deixar o coração ver primeiro; é quando a percepção antecede a visão. Ao contemplar os pássaros e as flores Jesus comungou com a liberdade de viver sem as algemas da ansiedade. A ansiedade torna a visibilidade da alma turva, e é aí que somos tragados pelo engano, porque ficamos entre a cegueira e a visão; o torto se torna direito e o direito torto. Quem vê e não consegue olhar é como ter catarata nos olhos, fica como que meio cego. E uma das dificuldades é não conseguir olhar as pessoas como realmente são, vidas que se movem em liberdade, e não arvores presas em seus próprios movimentos.
Os olhares falam mais alto do que um simples ver. Um olhar expõe o que está na alma, denuncia as intenções da mente e revela o que sente o coração. Um olhar pode ajuda o outro a reconhecer quem realmente é. Foi com o olhar de Jesus que Pedro conseguiu enxergar sua feiúra interior e ao mesmo tempo sentir a compaixão emanada através dos olhos do seu Mestre. Há momentos na vida que o olhar soa mais alto que o tom da voz, porque dependendo da situação, pode revelar aquilo que a boca não consegue dizer. A boca pode silenciar diante da morte ou da despedida, no entanto, o olhar permanece até perder de vista.
A vista cansa quando as pálpebras permanecem levantadas; o olhar se perde no vazio quando a alma silencia. Mas há momentos em que o olhar e o vê refletem o mesmo brilho: Quando os olhos estão encharcados de amor. Sempre que os olhos de duas pessoas que se amam se encontram, o olhar e o vê se tornam uma só coisa. E é só assim que se descobre o segredo do verdadeiro amor: “Olhando olhos nos olhos”.

sábado, 5 de março de 2011

Nasceu torto, torto morrerá!

Será que ainda tem conserto? Será que mesmo estando do avesso ainda tem jeito? Estou me referindo à Igreja Evangélica e não à Igreja de Jesus. Penso que não vai ter jeito mesmo, porque é questão de nascimento; já nasceu torta. Neste caso vale o que disse Salomão: “O que é torto não pode ser endireitado” (Ecl.1:15).
Pela dimensão que as coisas ficaram acho que a composição do Chico é o que melhor expressa a realidade da Igreja Evangélica hoje: “O que será que será? O que não tem certeza nem nunca terá; O que não tem conserto nem nunca terá; O que não tem tamanho/ ... O que não faz sentido/ ... O que não tem vergonha nem nunca terá; O que não tem juízo”.
Comecemos pelo adjetivo: “Evangélico”. Pode servir para qualificar qualquer coisa, menos as Boas-novas de Jesus. O que se vê hoje é que o Adjetivo entortou o Substantivo e este por sua vez passou a ter mais significado que o Verbo. No final o Nome distorceu o Significado e eliminou o Verbo.
É inútil a tentativa de endireitar o que não quer ser endireitado. É vã porque é gélido, quando se tenta aquecer-se sob o teto desta igreja institucionalizada.
Esta pseudo Igreja nasceu torta porque nasceu pra dentro e se fechou em si mesmo. Porque não foi gerada com o DNA dos voltados para fora, perdeu o sentido de ser como Igreja de Jesus. É uma igreja cujos olhos têm visão invertida, porém não tem cérebro pra fazer a devida correção, isto porque só olha pra si mesmo. E porque só olha pra si mesmo não consegue verdadeiramente si amar e muito menos amar os de fora. Tem como âncora de sustentação a religiosidade e o legalismo. Em vez de ser meio de difusão da Palavra tornou-se instrumento de descrédito, escândalo e escárnio no mundo.
Em contrapartida, a verdadeira Igreja permanece viva porque está firmada na Rocha Eterna e fundamentada no Evangelho de Jesus. Esta igreja está espalhada por todos os cantos deste mundo, porque é como fermento, influencia sem ser evidenciada; é como sal, tempera sem ser contaminada; e como luz, ilumina e brilha sem ofuscar a Luz maior que é Jesus. Quem olha para esta Igreja vê o brilho da luz que vem de cima iluminando os que estão embaixo. E quando esta Igreja brilha Deus é glorificado. Aleluia!

domingo, 23 de janeiro de 2011

INVERNO

Inicia-se a estação que mais mexe com meus sentimentos, porque atiça as minhas lembranças. Inverno! É tempo em que a pressa é vencida pela natureza, porque de certa forma o inverno freia a correria urbana e dificulta o deslocamento das pessoas. É quando a luz do sol que toca o chão do planeta é interceptada pelos colchões de nuvens que escurecem a terra.
Neste período o céu fica cinzento e o vento frio desliza na pele dando a sensação de estar sempre molhada. O interior da casa se torna mais aconchegante e o recolhimento do final do dia passa a ser uma mistura de prazer e necessidade. É o tempo em que os humanos mais se identificam com as aves quando estão chocando; assim como as aves não querem sair do ninho, assim também é no inverno quando a chuva cai e o leito aquece mais. Na verdade não é a cama que nos aquece durante o inverno, e sim o calor do nosso corpo que deixamos nela. No frio do inverno quando o dia amanhece, somos como as aves que deixam seu calor no ninho e saem para voar, mas logo que a chuva cai desejam voltar.
Quando eu era menino a casa de meus pais não tinha forro no teto, então nas noites de inverno dormíamos ouvindo o som da chuva sobre o telhado. Nas vezes que estava sem sono e todos já dormiam, eu ficava ouvindo o gotejar da chuva no telhado, e este som era como música que me fazia dormir. Naquela época o inverno era longo e as chuvas eram contínuas, a ponto de chover o dia e a noite inteira. Lembro-me de como minha mãe ficava tensa quando via a claridade dos relâmpagos e ouvia o som dos trovões. A primeira coisa que ela fazia era fechar a casa e cobrir todos os espelhos com lençóis, com medo de atrair raios. Também se evitava pegar faca e talheres. Quando se ouvia os trovões ela pedia para nos calarmos porque “Deus estava falando”. Por causa destas coisas e do próprio clima frio, ficávamos mais calmos e silenciosos dentro de casa.
Penso como Fernando Pessoa: “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é”. Assim como o sol, a chuva também é sinal do amor de Deus para com a humanidade. Ele faz chover sobre todos. Ela não é propriedade e nem privilégio de ninguém; é livre para cair quando bem quiser. Debaixo dela não há exclusividade, e isto Jesus deixou bem claro quando afirmou que é derramada sobre justos e injustos. Dependendo da situação, assim como a chuva encharca o chão, pode também encharcar o coração. Enche de alegria o lavrador, quando molha e alimenta a terra seca; enche de esperança ao saciar a sede de quem mora no sertão; faz a felicidade do pescador transbordar porque inunda o leito do rio e permite que os peixes voltem a nadar.
O inverno ao mesmo tempo em que esfria o corpo, pode também aquecer um coração carente de quietude. Embora produza zoada no céu e na terra, no entanto, abre espaço para o silêncio no coração humano.
Certa vez ouvi um homem dizer que o inverno é como um caixeiro viajante, de tempos em tempos ele passa no mesmo lugar. Ali chegando, ele deixa sua semente e vai embora; e cada vez que retorna ele rega a mesma semente, até que um dia ela se transforma em fonte de mantimento para si. Assim é com o inverno, a água que desce é como semente, que depois de semeada um dia também sobe para alimenta a estação do inverno seguinte.
Como todas as coisas na vida, o inverno vai passar, mas também vai voltar. E quando ele voltar desejo que continue atiçando minhas lembranças e encharcando minha alma de esperança.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Saudade desalmada

Não é saudade do que vivi e ficou pra trás.
Nem tão pouco é saudade do que outrora experimentei e me lembrei.
Esta saudade é saudade desalmada porque é saudade do que não vivi o que no passado desejei. Como diz Fernando Pessoa no Livro do Desassossego: “... não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram”.
Coisas que nunca foram, nem sempre significa que não existiram, mas porque deixamos de usufruí-las no passado: Uma viagem perdida, contada pelos outros; um livro não lido, mas muito comentado, que já não se acha mais; um namoro desejado, que foi impedido pela distância; o jogo esperado, que coincidiu com a prova da faculdade; uma aproximação maior com alguém que já não existe mais, e por aí vai...
Saudade sentida do que deveria ser, mas não foi.
É aquela saudade marcada pelo vazio de algo que existe na lembrança do passado. Acho que o Rubem Alves tinha razão ao dizer: “Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade”.
Há! Como seria diferente meu hoje se meu passado tivesse deixado esse vazio ser preenchido por aquilo que deixou de ser!
Retroceder é impossível, choramingar o tempo perdido é tolice, admitir a verdade é o melhor a fazer.
Não foi meu passado que tornou meu presente diferente, foram tão somente as nódoas das minhas omissões, medos, conformações e procrastinações.
Diante da verdade só me resta uma coisa a fazer: Transformar esta saudade em um aliado pra viver melhor o presente.
O meu consolo é a certeza que esta saudade é sufocada pelo agora, pela vontade de continuar vivendo o que vivo hoje, independe do que não vivi ontem. Com o passar do tempo minha saudade ganhou alma e meu passado fez as pazes com meu presente.
A verdade é que minha esperança se tornou maior que meu passado, por isso nenhuma saudade é maior que meu presente e futuro. Vivo o presente olhando firmemente para o futuro: A volta gloriosa do Eterno!
Cristo! Minha maior esperança!

 

 

 

 

 

 


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Assim é a vida

É assim mesmo que a vida faz, vai sorvendo a gente lentamente como se fosse areia movediça. Uma vez na terra dos viventes só nos resta viver a vida como ela é. A grande verdade é que a vida não se deixa levar por aqueles que acreditam que podem caminhar na frente dela; sendo assim o melhor a fazer é tornarmos seus parceiros. Talvez o refrão da música “Deixa a vida me levar, vida leva eu” seja para aqueles que aprenderam que remar contra a vida é experimentar a derrota antes mesmo que o juiz apite o final do jogo. Para mim, sábio é aquele que aprendeu a viver de mãos dadas com a própria vida. O sábio Salomão deixou claro que não há nada melhor para o homem que gozar a vida enquanto puder (Ecl.3:12).
É coerente dizer que, na sua essência a vida de uma pessoa é o reflexo de suas escolhas e ações, o resto são apenas adereços que podem torná-la mais agradável ou não. Entretanto, a própria vida impõe suas regras que influenciam nas nossas escolhas e ações. Há pequenos detalhes que envolvem nossa vida e que nem percebemos e até depreciamos, todavia o que seria de nós sem eles. Igualmente há coisas grandes e pequenas ao nosso redor que são fundamentais para tornar a vida possível de ser vivida, mas que também não damos o devido valor.
Na vida tudo tem sua importância, até mesmo aquilo que julgamos ruim e inútil. Outra declaração do sábio é: “Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando forem ruins, considere que Deus fez tanto um quanto o outro,...” (Ecl.7:14). Já me peguei usufruindo coisas que a vida me ofertou que não dava nenhum valor, e para ser bem franco até faria qualquer sacrifício para me livrar delas. Fato recente aconteceu quando estava cofiando minha barba a comecei a relaxar e descansar ao mesmo tempo. Detesto ficar com barba e muito menos tirar barba. Tenho razões fortes para tal aversão. Os cabelos da minha barba são bem grossos e à medida que crescem alguns vão penetrando na minha pele e me furando, isso faz com que eu coce a barba continuamente e acabo me ferindo. Por outro lado, todas às vezes que a lâmina do aparelho de barbear desliza sobre minha pele, ela irrita que chega até a ferir. Fico tão incomodado com isso que às vezes chego a murmurar. Fiquei pensativo ao admitir que a mesma barba que me irritou também pôde me dá prazer. Isso soa como vindo de alguém que é simplório, no entanto são as coisas simples do cotidiano que mais revelam a força da vida. Assim é a vida, tudo tem sua utilidade; e é por isso que podemos tirar proveito até das coisas que nos desagradam.
O veneno da cobra pode matar um homem, mas também pode servir de antídoto para livrá-lo de uma doença mortal. A morte de uma corsa pode ser uma injustiça aos nossos olhos, mas é questão de sobrevivência para o leão. Até a folha de uma árvore quando cai na floresta tem sua utilidade.
Lutamos por acrescentar tantas coisas à nossa vida que acabamos deixando de usufruir a vida como ela é: Só vida. Não se trata de deixar de fazer o que tem de ser feito, ou até mesmo matar o desejo de realizações. Não! É entender que o sentido da vida não está no que fazemos, mas no quanto vivemos à medida que estamos fazendo. É preciso deixar de nos preocupar tanto em arrumar nossa vida e decidirmos viver a vida como ela é para entendermos o que Millôr Fernandes quer dizer com “Viver é desenhar sem borracha”.
Desde o dia em que resolvi abraçar as palavras da Vida, fiz as pazes com a vida e aprendi a viver um dia de cada vez. Se assim é a vida, então assim vou vivendo.

domingo, 17 de outubro de 2010

A unidade do povo de Deus

Falar sobre unidade do povo de Deus apenas com base nos relatos históricos do povo de Israel, registrados nas Escrituras Sagradas, pode soar de forma contraditória àquilo que foi escrito pelos autores do Novo Testamento. O Velho Testamento transmite exclusividade, ou seja, povo escolhido e privilegiado pelo Criador (I Sm.12:22); já o Novo Testamento transmite inclusão, ou seja, povo que acolhe; que se espalha com o fim de ajuntar e de integrar outros a si mesmo. Todavia, se ignorarmos esta falsa contradição, pode-se perceber que o propósito de Deus sobre a unidade do seu povo, permanece o mesmo: Ser a extensão do próprio Deus na terra.
A unidade que apenas enaltece o pensamento comum no meio evangélico, de que seremos um povo dominante e poderoso na terra, fere o princípio básico de verdadeira unidade: União que gera acolhimento do solitário e inclusão do diferente. A unidade que anula a interdependência, que fomenta o desejo de poder ilimitado, que fortalece a liturgia do exclusivismo, que acalenta a alma da indiferença e que neutraliza a força da aproximação, é qualquer coisa menos unidade.
Foi o próprio Deus, logo no início da vida humana na terra, quem primeiro percebeu este desvio gerado na mente dos homens, em relação à força de uma unidade verdadeira. Por isso, agiu de forma drástica, com o fim de neutralizar o uso indevido da mesma. Em Babel, Deus tomou a decisão de diversificar a linguagem, com o intuito de espalhar o povo e restringir o intento de fazerem o que bem quisessem. Esta decisão mostra que a unidade de um povo não está circunscrita aos limites do espaço geográfico, que extrapola a uniformidade da comunicação verbal e destrói a barreira de inimizade que há com outros povos. Mostra também que a unidade de um povo não se fundamenta sob a sombra de um nome ou de uma denominação, e nem tão pouco sob os holofotes da suntuosidade de um monumento.
Unidade sem abertura para alcançar novas pessoas e ocupar novos espaços, não é unidade. Unidade que coloca só os iguais dentro, mas fecha a porta para entrada dos diferentes, não é unidade. Unidade que o comum é comum só para quem fala a mesma língua, também não é unidade. A marca da verdadeira unidade de um povo é refletida principalmente pela inclusão e acolhimento dos que estão do lado de fora, e não apenas pela perpetuação dos que já estão dentro. A unidade sadia é aquela em que se abre a possibilidade para os diferentes também se tornarem semelhantes.
Unidade do povo de Deus não significa ter a mesma aparência, o mesmo sotaque, a mesma língua ou estar no mesmo lugar. Antes de qualquer coisa, é refletir a mesma imagem que Jesus refletiu; a imagem do Pai: “Quem vê a mim vê o Pai, porque Eu e o Pai somos um”. Isso significa dizer que a nossa unidade não começa pelo que está fora da gente, nem mesmo pelo que fazemos ou temos, mas primeiramente pelo que somos. E o que somos em Jesus é o que nos faz parecidos com o Pai, e conseqüentemente parecidos uns com os outros a ponto de sermos chamados filhos de Deus.
Busquemos a verdadeira unidade. Aquela que faz o mundo vê em nós a imagem Daquele que tem o poder de reconciliar os homens com Deus em um só corpo, matando assim a inimizade. Lembremos que a verdadeira unidade tem seu exemplo maior na união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.